Elevador é mais seguro do que avião

O fosso aberto do elevador que motivou o acidente que matou a universitária Bruna Lino, 19 anos, na madrugada do último domingo, na USP, é um sinal de descuido grave que não é visto na manutenção e no controle de qualidade dos 70 mil elevadores que existem nacapital. O aparelho, um dos principais meios de transportes da cidade, que chegam a fazer mais viagens que os ônibus, registrou apenas um acidente neste ano, segundo dados da Secretaria Municipal de Licenciamento. O número é menor do que o de acidentes de avião, tido como o meio de transporte mais seguro do mundo. Segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), em 2013, foram registrados quatro acidentes de avião em São Paulo. O trabalho para garantir esse nível de eficiência é amparado em um tripé: rigor no seguimento das normas técnicas, regime de concessões para a entrada de empresas no setor e manutenção periódica. “A experiência acumulada ao longo dos anos dos fabricantes, aliada à tecnologia de ponta, justificam essa performance. Hoje em dia há um grande número de dispositivos de segurança e a manutenção em São Paulo é realizada, no mínimo, uma vez por mês na capital”, disse o diretor da empresa Atlas Schindler, Osvaldo Gazola. “Em construções, temos até algumas notícias de ocorrências, mas nos aparelhos não se vê falar em acidentes graves”, comenta o presidente do Seciesp (Sindicato das Empresas de Conservação, Manutenção e Instalação de Elevadores do Estado), Jomar Cardoso. A Prefeitura fiscaliza o funcionamento dos elevadores por meio do RIA (Relatório de Inspeção Anual), denúncias, processos em andamento e operações com outros órgãos. ANÁLISE Jomar Cardoso, presidente do Seciesp (sindicato das empresas de elevadores do estado) Importações vão afetar segurança Corremos um sério risco de perdermos em performance na segurança do setor. Os fabricantes nacionais seguem normas brasileiras rígidas. Mas o país passa por uma desindustrialização e as importações só crescem. Como a Prefeitura não tem poder de homologação dos produtos, ou seja, não sabe que normas esses aparelhos de fora seguem, é possível que venham produtos de baixa qualidade para cá. Hoje, o país só fabrica 50% dos novos elevadores. Até 2016, tenho certeza, estaremos em 0%, assim como ocorreu com as escadas rolantes. Especialistas dizem que caso da USP é um verdadeiro crime Especialistas ouvidos pelo DIÁRIO disseram que o acidente ocorrido na USP, no último domingo, foi “um verdadeiro crime”. “Não existe esse negócio de colocar uma fita para isolar um fosso. Esse buraco, no mínimo, deveria estar tapado com tapumes”, disse um empresário do setor que preferiu não se identificar. Para ele, mesmo com o prédio cercado com muros e cercas, normas específicas devem ser respeitadas em construções do tipo. “A Polícia Civil vai concluir que a situação se configura em um assassinato”, completa. Antes do acidente, nada no prédio indicava que no local havia um fosso aberto que levava sério risco para quem frequentava o local, ainda mais à noite.

Número de acidentes no aparelho neste ano e em 2012 é inferior às ocorrências com aeronaves em SP

18 de Novembro, 2013
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